CASA CINE 2026 - AUTORES

Conheça os autores-realizadores selecionados para participar na próxima edição da CASA CINE!

3/24/2026

Bem-vindos, residentes da CASA CINE 2026!

O nosso júri, composto por Raja Amari, Pierre Pinaud, Dominique Hoff, Anna Glogowski e Mary-Lyn Chambers, selecionou os candidatos que irão desenvolver os seus projetos de primeira ou segunda longa-metragem para o cinema, no mês de maio, no Château de La Napoule. Os projetos selecionados este ano têm em comum o facto de contarem histórias de ruptura e resistência e refletem, mais do que nunca, o caos do mundo em que vivemos.

A CASA CINE dará as boas-vindas a Katia Jarjoura com Braquer Beyrouth (Líbano), Marcel Beltrán com Um lugar fora do mundo (Cuba/Brasil), Christina Tynkevych com All Clear (Ucrânia), Parsa Ansari com Shooting Stars (Irão) e Louis Hanquet com À Corps Perdu (França).

Katia Jarjoura

Autora-realizadora
Líbano

Longa-metragem de ficção

Braquer Beyrouth

Katia Jarjoura é uma jornalista, argumentista e realizadora de origem libanesa-canadiana.

Tem percorrido extensivamente zonas de conflito no Médio-Oriente - como Líbano, Síria, Iraque, Irão, Gaza, Afeganistão, Iémen e Egito - onde realizou diversas reportagens e documentários para meios internacionais, incluindo o canal Arte. Nos seus filmes, Katia Jarjoura explora as consequências da guerra, acompanhando de perto as marcas que estes conflitos deixam nas pessoas e os esforços que elas fazem para os ultrapassar.

Realizou os documentários Entre Deux Fronts (Melhor Filme Libanês no Festival Ayyam al Cinemaiyya, em Beirute), L'Appel de Kerbala (FIGRA e FIPA 2004), Goodbye Mubarak! (Melhor Filme no Beirut International Film Festival) e Liban, de fracture en fracture (exibido no Prix Bayeux des Correspondants de Guerre de 2014). No campo da ficção, realizou duas curtas-metragens com ampla presença em festivais internacionais: Dans le Sang (2009), que aborda o legado devastador da guerra civil libanesa, estreou no Festival Rencontres internationales du moyen métrage de Brive e ganhou o Prémio France 2 no Festival de Cinema de Brest; e Seul le Silence (2018), que retrata o exílio violento e silencioso de refugiados sírios, foi exibido no Lebanese Film Festival, no Festival Del Cinema dei Diretti Umani, no BBC Arabic Film Festival, no Panorama des Cinémas du Maghreb et du Moyen-Orient, e transmitido no canal France 3. Recentemente, realizou a sua primeira longa-metragem documental, Les Échappées, que retrata mulheres artistas sírias exiladas na Europa, selecionada para a competição do FIPADOC 2022.

Na CASA CINE estará a trabalhar na sua primeira longa-metragem de ficção, Braquer Beyrouth, um drama que explora a fracturação da sociedade libanesa no contexto do recente colapso do sector bancário. Inspirado em histórias reais, o filme acompanha uma jovem mulher que arrisca tudo para assegurar a sobrevivência da sua família, revelando o desespero violento e a raiva de cidadãos e cidadãs abandonados pelo Estado.

Marcel Beltrán

Autor-realizador
Cuba/Brasil

Longa-metragem de ficção

Um Lugar Fora do Mundo

Marcel Beltrán é um argumentista e realizador cubano-brasileiro baseado em São Paulo.

Nascido numa família de pintores e músicos, Marcel Beltrán estudou cinema na Universidade das Artes de Havana. Posteriormente, especializou-se em realização de documentários na Escuela Internacional de Cine y Televisión (Cuba), antes de receber uma bolsa de estudos para a Concordia University (Canadá). Ao longo dos anos, explorou vários formatos analógicos e digitais, utilizando imagens de arquivo e experimentando processos fotoquímicos sustentáveis, nomeadamente em curtas-metragens como Cisne Cuello Negro, Cuello Blanco (MoMA Doc Fortnight) e Casa de la Noche (TIFF, The Free Screen). Combinando documentário e ficção, o seu trabalho caracteriza-se por retratos íntimos de Cuba e dos seus exilados.

A sua curta-metragem La nube recebeu o prémio de Melhor Curta-Metragem no Festival Internacional del Nuevo Cine Latinoamericano de La Habana. La opción cero, o seu primeiro documentário de longa-metragem, estreou no IDFA e foi exibido em Locarno, no Hot Docs e no DOC NYC. Ganhou também o prémio de Melhor Documentário no MiradasDoc e no FIDBA. Em 2025, a sua curta-metragem de ficção Ponto Cego, co-realizada com Luciana Vieira, estreou na Quinzaine des Cinéastes no Festival de Cannes e ganhou o prémio de Melhor Curta-Metragem no Festival do Rio.

Na CASA CINE, estará a desenvolver a sua primeira longa-metragem de ficção, Um lugar fora do mundo. O projeto é um retrato sensível de uma artista cubana obrigada a recomeçar do zero no Brasil, navegando num limbo entre o país que deixou para trás e a sua nova realidade. Marcel Beltrán captura as nuances deste processo solitário, permeado por uma sensação de “solastalgia” — a dor de um mundo próprio que continua a existir, mas que já não oferece refúgio. Na sua essência, Um lugar fora do mundo é uma exploração contemporânea da busca fundamental pelo próprio lugar no mundo.

Christina Tynkevych

Autora-realizadora
Ucrânia

Longa-metragem de ficção

All Clear

Christina Tynkevych é uma realizadora ucraniana, natural de Kiev.

Aos 19 anos mudou-se para Londres, onde estudou cinema na University of the Arts London e na University of Westminster. Na sua obra, Christina Tynkevych adopta uma perspectiva íntima para explorar o contexto ucraniano atual, focando-se em personagens femininas fortes.

Realizou duas curtas-metragens, Kraina (2016) e Solatium (2017), que foram selecionadas em vários festivais internacionais de cinema, entre os quais Ethnocineca - International Documentary Film Festival Vienna, Atlanta Film Festival, Ghent International Film Festival e o Brooklyn Film Festival. Com Kraina, foi distinguida com o Prémio do Júri para Melhor Curta-Metragem Documental no Atlanta Film Festival. É também realizadora do documentário Generation 91 (2018), que apresenta uma visão caleidoscópica da primeira geração pós-soviética na Ucrânia. A sua primeira longa-metragem de ficção, How Is Katia? (2022), estreou no Locarno Film Festival, onde recebeu um Prémio Especial do Júri no âmbito do “Concorso Cineasti del Presente”, e a protagonista, Anastasiya Karpenko, foi distinguida como Melhor Atriz. O filme foi posteriormente exibido em mais de 40 festivais internacionais, incluindo o Warsaw Film Festival e o Thessaloniki International Film Festival. Christina Tynkevych é membro da European Film Academy e da Ukrainian Film Academy.

Na CASA CINE, estará a desenvolver a sua segunda longa-metragem de ficção, All Clear. Ambientado em Kiev nos primeiros meses da invasão russa da Ucrânia, Christina Tynkevych retrata um jovem casal preso na indecisão entre partir ou ficar. O projeto explora o impacto presente da guerra focando-se na fragilidade da vida quotidiana e na necessária adaptação a uma nova realidade, questionando os conceitos de lar, pátriotismo e coragem.

Parsa Ansari

Autor-realizador
Irão

Longa-metragem documental

Shooting Stars

Parsa Ansari é um argumentista e realizador iraniano.

Iniciou a sua carreira artística aos 16 anos, tendo-se formado no curso de argumento da Escola de Cinema Darolfunun. Posteriormente, estudou realização na Universidade de Artes de Teerão, onde o seu trabalho se começou a centrar na combinação de narrativas pessoais com temas sociopolíticos. Durante os seus anos de faculdade, realizou várias curtas-metragens de ficção, mas na sequência do movimento “Woman, Life, Freedom” no Irão em 2022, o seu foco artístico mudou da ficção para a realização de documentários.

A sua primeira curta-metragem documental, The Villain (2024), trouxe-lhe amplo reconhecimento. O filme recebeu o prémio «Jovem Talento do Ano» no Festival de Cinema “Image of the Year”, foi exibido em inúmeros festivais por todo o Irão e conquistou vários prémios do público e de Melhor Documentário. Foi também selecionado para o Tehran International Short Film Festival, que serve de qualificação para os Óscares, e foi nomeado Melhor Curta-Metragem do Ano pela revista iraniana de curtas-metragens FIDAN. Parsa Ansari é ex-aluno da IDFAcademy, do IDFA Project Space e do Docs By The Sea, e membro da International Documentary Association and Documentary Association of Europe.

Na CASA CINE, estará a trabalhar na sua primeira longa-metragem, Shooting Stars, um documentário híbrido que mistura imagens de arquivo e animação para questionar como as sociedades rotulam, excluem e constroem o “outro”. Através de uma investigação sobre as aparições misteriosas de OVNIs que popularam a sua infância, Parsa Ansari explora questões de identidade e ostracização, refletindo sobre a vida das estrelas invisíveis que habitam entre nós.

Louis Hanquet

Autor-realizador
França

Longa-metragem documental

À Corps Perdu

Louis Hanquet é um realizador e diretor de fotografia francês. Depois de estudar literatura e cinema em Paris (La Sorbonne) e em Buenos Aires (UNSAM), trabalhou como assistente de realização de Serge Viallet na série Mystères d'archives e, mais tarde, colaborou com Sébastien Lifshitz em vários dos seus filmes (Adolescentes, Petite fille e Madame Hofmann).

Ao longo do tempo, virou o seu foco para a direção de fotografia. Louis Hanquet assinou a imagem de várias curtas e longas-metragens documentais selecionadas para importantes festivais de cinema, como o Visions du Réel, o Festival Internacional de Curtas-Metragens de Clermont-Ferrand, o FIPADOC, o Les États Généraux du Film Documentaire de Lussas e o Traces de Vie.

Em 2024, concluiu o seu primeiro documentário de longa-metragem, Un pasteur. O filme é um retrato delicado de Félix, um jovem pastor melancólico e reservado que leva uma vida solitária nos Alpes do Sul. Foi exibido em mais de quarenta festivais em todo o mundo (incluindo o Visions du Réel, Les États Généraux du Film Documentaire de Lussas, Thessaloniki International Documentary Festival, DokFest München e o Verzio Human Rights Film Festival) e foi transmitido pela televisão nacional francesa e suíça. Recebeu vários prémios, incluindo o Grande Prémio e o Prémio de Melhor Música Original no FIPADOC 2024, bem como uma Étoile de la Scam em 2025.

Na CASA CINE, estará a desenvolver o seu segundo documentário de longa-metragem, À Corps Perdu. Filmado no sul da Tailândia, acompanha Erdem e Luna, dois lutadores de Muay Thai imigrantes que vieram para a ilha de Samui para perseguir o seu sonho de grandeza. Unidos por uma devoção obsessiva pela auto-superação física e mental, vivem regidos por uma rotina implacável de treino, sacrifício e competição. Através da sua frágil história de amor, Louis Hanquet retrata um mundo onde corpos e mentes se tornam instrumentos de performance, revelando as tensões entre o desejo, a ambição e as duras realidades de um mundo governado por uma forma cruel de ultraliberalismo.

A SERENA Productions e a La Napoule Art Foundation agradecem a todos os candidatos e felicitam os participantes da edição de 2026 da CASA CINE, que terá lugar no Château de la Napoule, de 6 a 29 de maio!